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Crediamigo Delas do BNB ajuda ofício das Baianas do Acarajé a se tornar patrimônio imaterial mundial

Primeiro empreendimento feminino do Brasil, o ofício - que teve origem com as escravizadas chamadas de “Mulheres de Ganho” - é reconhecido nacionalmente pelo IPHAN desde 2005, na Bahia pelo IPAC desde 2012 e, agora, o desafio é alcançar o reconhecimento como patrimônio imaterial mundial.

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É fundamental legitimar o ofício das Baianas do Acarajé.
Por Miguel Brusell
Imagens: Gabriela Simões
 
Em meio às discussões sobre preservação cultural e valorização das tradições afro-brasileiras, uma pauta ganha cada vez mais força na Bahia: a relação entre cultura e sustentabilidade econômica. Esse reconhecimento é fundamental porque legitima o ofício das Baianas como patrimônio vivo, fortalece sua identidade cultural e amplia o acesso a políticas públicas, visibilidade e direitos — elementos essenciais para que essas mulheres continuem exercendo sua atividade com dignidade e autonomia.



Durante evento realizado no dia 7 de abril, no Palacete Tira Chapéu, no Centro Histórico de Salvador, a salvaguarda do ofício das Baianas do Acarajé ganhou um novo elemento: o acesso ao crédito. O Banco do Nordeste do Brasil apresentou o Crediamigo Delas, iniciativa voltada ao empreendedorismo feminino dentro do seu programa de microcrédito, que completa 29 anos em 2026 e já atende mais de 2 milhões de clientes — reforçando um ponto central do debate: patrimônio não se sustenta sem renda.
 
Tradição que nasce da resiliência
 
Muito antes de se tornar um dos maiores símbolos da cultura da Bahia e do Brasil, o Acarajé já representava autonomia e sobrevivência. Foram as mulheres negras escravizadas - as chamadas ganhadeiras - que transformaram o tabuleiro em fonte de renda e liberdade, criando um modelo de empreendedorismo feminino que atravessa séculos.
 
Hoje, o ofício segue profundamente ligado à cultura afro-brasileira, à religiosidade e à identidade da Bahia, especialmente em Salvador, onde as Baianas são parte essencial da paisagem cultural.

 
Salvaguarda: o caminho para o reconhecimento mundial

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O ofício está sendo protegido e valorizado.
Para que o ofício alcance o reconhecimento da UNESCO, não basta sua importância histórica — é fundamental comprovar que ele está sendo protegido e valorizado na prática. É aí que entra a salvaguarda: um conjunto de ações que garantem a continuidade do saber, a valorização das Baianas e melhores condições de trabalho. Mais do que preservar o passado, a salvaguarda busca assegurar o futuro do ofício.
 
Crédito como ferramenta de preservação
 
Nesse contexto, iniciativas econômicas passam a ter papel central. Durante evento recente no Centro Histórico de Salvador, o Banco do Nordeste do Brasil apresentou o Crediamigo Delas, versão do seu programa de microcrédito voltada ao público feminino. Com quase três décadas de atuação e mais de 2 milhões de clientes, o Crediamigo surge como uma ferramenta concreta para fortalecer o trabalho das baianas, permitindo:



A proposta dialoga diretamente com a realidade dessas mulheres, que sustentam suas famílias a partir de um saber tradicional. Segundo o superintendente estadual do Banco do Nordeste na Bahia, Pedro Lima Neto, o microcrédito tem grande efeito multiplicador porque chega diretamente ao pequeno, que reinveste no próprio negócio e movimenta a economia local. “Estamos falando de recursos que geram emprego, aumentam renda e fortalecem as cadeias produtivas em todo o Estado. O Crediamigo materializa a missão do Banco do Nordeste de promoção do desenvolvimento econômico com inclusão”, reforça o gestor.

 
Preservar é garantir condições de existir

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Muitas Baianas ainda enfrentam desafios diários.
Apesar do reconhecimento institucional, muitas Baianas ainda enfrentam desafios diários: aumento de custos, burocracia, disputa por espaço urbano e riscos de descaracterização do ofício. Por isso, especialistas e lideranças apontam que a salvaguarda precisa avançar para além do simbolismo. É necessário garantir condições reais para que o ofício continue sendo praticado com dignidade.
 
Um futuro que depende do presente
 
O caminho para transformar o ofício das Baianas do Acarajé em patrimônio imaterial mundial passa, necessariamente, por ações concretas no presente. Se o Acarajé já é símbolo do Brasil, o desafio agora é fazer com que o mundo reconheça não apenas o produto, mas sobretudo as mulheres que mantêm essa tradição viva. Porque salvaguardar, hoje, é garantir que o tabuleiro continue sendo espaço de cultura, identidade — e também de sustento.
 
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