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Com apoio do BNB, Morro do Chapéu se prepara para assumir protagonismo do turismo na Chapada Diamantina

Vinho de altitude, café especial, histórias, cultura e paisagens deslumbrantes impulsionam o turismo da cidade, que deixaria orgulhoso o empresário Jairo Vaz, um dos principais responsáveis pela introdução da vitivinicultura na Chapada, que faleceu na final do ano passado.

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Morro do Chapéu vai assumir protagonismo no turismo.
Por Miguel Brusell
Imagens: Gabriela Simões
 
Antes de se tornar verso imortal na voz de Raul Seixas, o Sertão cantado na música “Capim Guiné” tinha outro nome. Segundo relato de parentes, quando Wilson Aragão fez a música e apresentou a letra a Raul, o local, originalmente, citado era Morro do Chapéu, cidade da Chapada Diamantina onde ele nasceu e a música foi criada. Ao ser cantado, porém, o nome não se encaixava bem na melodia. Faltava musicalidade. A solução veio de um município próximo, Piritiba, cuja sonoridade fluiu melhor no verso “Comprei um sítio no Sertão de Piritiba”. Por uma escolha artística, Morro do Chapéu saiu da letra — mas nunca saiu da história.


 
Essa curiosidade ajuda a compreender a força de Morro do Chapéu, um território que está presente como espaço de criação, identidade e reinvenção. Hoje, a cidade volta a ocupar lugar de destaque, desta vez como aposta estratégica para o fortalecimento do turismo na Chapada Diamantina, apoiada por ações de fomento e investimento.
 
Com paisagens marcadas por cânions, cachoeiras, sítios arqueológicos e um clima singular, Morro do Chapéu soma à vocação turística um movimento consistente de desenvolvimento econômico. A cidade se projeta nacionalmente como referência na vitivinicultura de altitude, integrando produção, gastronomia e experiências enoturísticas — um processo que vem ganhando escala com apoio da Prefeita Juliana, sua competente equipe e linhas de crédito voltadas ao turismo sustentável, à economia criativa e à agricultura familiar.
 
🍷 Enoturismo de altitude e legado pioneiro
 
Morro do Chapéu abriga um dos terroirs mais singulares do Brasil, com vinhedos instalados a mais de mil metros de altitude. Esse diferencial transformou o município em referência no vinho de altitude e vem atraindo visitantes interessados em vivenciar experiências que unem paisagem, conhecimento e degustação.

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O Comida da Bahia visitou a Vinícola Santa Maria.
Esse avanço, no entanto, acontece em um momento delicado para a cidade. A morte recente de Jairo Vaz, fundador da Vinícola Vaz e um dos principais responsáveis pela introdução da vitivinicultura em Morro do Chapéu, provocou comoção e reflexão. Visionário, Jairo foi decisivo para demonstrar o potencial do território e abrir caminhos que hoje sustentam o enoturismo local. Seu legado permanece vivo nas vinhas, nos projetos em curso e na identidade que o município constrói em torno do vinho.

Nesta viajem, o Comida da Bahia visitou a Vinícola Santa Maria, a pioneira da vitivinicultura em Morro do Chapéu e referência na produção de vinhos de altitude na Chapada Diamantina. Na experiência, foram harmonizados um espumante Capão Branco Brut e um Capão Rosé Brut com pratos que dialogam com a proposta gastronômica do território: como entrada, Pão da casa com fermentação natural com Queijo Camembert com geléia de Syhar, tendo como pratos principaiss Bacalhau com Natas e Salmão ao Molho de Geleia da uva Syrah, evidenciando a versatilidade dos rótulos locais e o potencial do município para oferecer vivências que unem vinho, gastronomia e identidade regional.


 
Estrada das Vinícolas e organização do destino
 
O crescimento do enoturismo pode ganhar novo impulso com a tramitação, na Assembleia Legislativa da Bahia, de um projeto de lei que propõe denominar o trecho da BA-144, entre Morro do Chapéu e Bonito, como “Estrada das Vinícolas”. A iniciativa busca oficializar uma rota que já se consolidou na prática, conectando vinícolas, paisagens naturais e experiências gastronômicas.

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Diamantina Palace Hotel tem história desde 1973.
A proposta dialoga diretamente com a necessidade de organizar o destino turístico, ampliando sinalização, visibilidade e integração regional — elementos essenciais para a consolidação de Morro do Chapéu como polo turístico estruturado na Chapada Diamantina. Acompanhando a tendência, a rede hoteleira procura se renovar. O avanço do turismo já se reflete na ampliação da rede hoteleira local.
 
O Diamantina Palace Hotel - que sempre recebe a equipe do Comida da Bahia com muito carinho - e tem história de hospitalidade desde 1973, está investindo na expansão de suas instalações. Segundo o gerente operacional Willian Silva, o empreendimento encontra-se em processo de construção de cinco suítes de luxo, acompanhando o aumento da demanda por hospedagens de padrão mais elevado. O investimento sinaliza a confiança do setor privado no potencial turístico do município, impulsionado pela integração entre agricultura familiar, enoturismo, café de qualidade e experiências ligadas ao território.


 
Café de altitude e turismo rural
 
A história de Morro do Chapéu com o café remonta às origens do município, fundado no século XIX, elevado à categoria de cidade em 1909, cuja bandeira oficial incorpora dois ramos da planta. Segundo o Chef e professor Benedito Maciel Aguiar, um capixaba que, atualmente se dedica à charcutaria na Sabor Latino, mas se mudou para Morro do Chapéu para plantar café, os produtores iniciais abandonaram a cultura devido a acentuada queda do índice pluviométrico da região, desde aquela época. 

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Seu Maciel se mudou para Morro do Chapéu para plantar café.
Impulsionada pela irrigação, a produção de café especial de altitude, cultivado majoritariamente por agricultores familiares vem retomando ao municipio. Integrante da área da Indicação Geográfica Café da Chapada Diamantina, Morro do Chapéu vem se destacando pela produção de cafés especiais, que hoje também fazem parte de roteiros turísticos ligados ao campo, à cultura rural e ao consumo consciente.
 
Visitas a propriedades, torrefações artesanais e experiências sensoriais ampliam o leque de atividades para o visitante e fortalecem a renda no meio rural. O movimento de valorização do café de altitude também começa a atrair investidores de fora da Bahia. O empresário paulista Edson Takatatsu está em processo de implantação de uma cafeteria em Morro do Chapéu, projeto que prevê o cultivo do próprio café especial na região, além da torra e do serviço final ao consumidor.
 
A proposta é Tree To Cup (Da árvore à xícara), garantir o controle total da qualidade em todas as etapas, oferecendo ao público uma experiência de degustação aromatizada, que une técnica, origem e identidade territorial, reforçando o potencial do município como destino para o turismo gastronômico. O empresário conta com apoio do BNB para realizar o seu sonho.


 
Para além da produção agrícola, Morro do Chapéu também se diferencia pelo imaginário cultural. A cidade é conhecida por relatos de discos voadores, pela aura mística da Chapada e por histórias ligadas à contracultura — entre elas, a passagem de Raul Seixas pela região. Esses elementos reforçam o turismo de identidade e atraem um público interessado em experiências que unem natureza, memória e simbolismo.

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No Mukekão, harmonizamos moquecas com o vinho Angélica.
A gastronomia também ocupa papel central nesse imaginário coletivo, funcionando como expressão viva da identidade local. Em Morro do Chapéu, a experiência à mesa dialoga com o território, a criatividade e o encontro de tradições. Durante a passagem pela cidade, o Comida da Bahia percorreu restaurantes que traduzem essa diversidade. Jantamos no Vitória Abreu, que tem uma Bruschetta de Camarão - que harmonizados com o vinho Stallone Sauvignon Blanc, da Vinífera Import - e outra Napolitana, além de um Filé à Parmegiana e Costela de Porco.

Atendendo à convite de Ana Caroline da Prefeitura de Morro do Chapéu, jantamos no retaurante O Casarão. A recepção começou com um espumante Moscatel da Vinícola Vaz, seguido por Filé à Parmegiana e Costela de Porco Caramelizada, harmonizados com o vinho Defuk, vulcânico da região do Lazio, na Itália, também da Vinífera Import. A experiência se encerrou com um surpreendente Pavê de Abacaxi, servido com o Café Bons Ventos da Chapada, reforçando a força dos produtos locais. Já no tradicional Mukekão, a identidade regional se expressou nas moquecas de camarão e de peixe, harmonizadas com o vinho Angélica, da uva Grillo, consolidando a gastronomia como elemento que conecta cultura, misticismo e memória em Morro do Chapéu.

O roteiro se completou no alto do Morrão, com a degustação do tradicional “Café de Mainha”, preparado pelas "Meninas do Turismo", no pôr do Sol, experiência que alia hospitalidade, paisagem e afeto, sintetizando a vivência cultural do município.

 
O papel do BNB no desenvolvimento do turismo

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BNB tem ampliado atuação como agente do desenvolvimento.
Nesse cenário, o Banco do Nordeste tem ampliado sua atuação como agente estruturador do desenvolvimento local. Por meio de linhas de crédito voltadas à agricultura familiar de valor agregado e aos pequenos negócios, o BNB contribui para que produtores e empreendedores invistam em infraestrutura, qualificação e novos produtos turísticos.
 
Entre vinhedos, cafezais, histórias e paisagens, Morro do Chapéu se prepara para assumir um papel de protagonismo no turismo da Chapada Diamantina. Um caminho que une memória e futuro, identidade e planejamento — com o crédito atuando como ferramenta de transformação territorial.



📦 BOX | Banco do Nordeste, agricultura familiar e experiências turísticas em Morro do Chapéu
 
A agricultura familiar segue como base econômica e cultural de Morro do Chapéu. Com apoio do Banco do Nordeste, pequenos produtores rurais avançam não apenas na qualificação da produção agrícola, mas também na criação de experiências turísticas vinculadas ao campo, integrando renda, identidade e valorização do território.
 
Prodeter - Programa de Desenvolvimento Territorial do BNB é uma estratégia para fortalecer a economia e a competitividade das atividades  econômicas na regiões do Nordeste com atuação no Território da Chapada Diamantina com o Plano de Ação Territorial (PAT da Cafeicultura), vem organizando essa importante cadeia produtiva regional, promovendo inovação, articulando políticas públicas e facilitando financiamentos para atividade, com o objetivo de gerar desenvolvimento local e inclusão social, aumentar a competitividade, organizar, trazer inovações e financiamento orientado e produtivo para cadeia produtiva do café.
 
Agroamigo – Programa de microcrédito rural voltado à agricultura familiar, com financiamento orientado para custeio, investimento e melhoria da produção, incluindo iniciativas que associam agricultura e turismo rural.
                                               
FNE Rural – Agricultura Familiar (Pronaf) – Crédito para implantação e recuperação de lavouras, irrigação, aquisição de equipamentos e adoção de práticas sustentáveis.
 
Agroindústria de pequeno porte – Apoio financeiro à torrefação de café, produção artesanal de vinhos, beneficiamento de frutas e outros produtos que ampliam o valor da produção familiar.
 
Turismo de experiência no meio rural – Casos de produtores que passam a receber visitantes para vivências como colheita, degustação, visitas guiadas e venda direta, fortalecendo o turismo rural e gastronômico.
 
Sustentabilidade e permanência no campo – Financiamento para tecnologias que promovem uso racional da água, conservação do solo e geração de renda complementar.
 
A atuação do Banco do Nordeste contribui para transformar a produção familiar em vetor de desenvolvimento local, conectando agricultura, turismo de experiência e economia criativa em Morro do Chapéu.
 
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