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O que é que a Bahia tem

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Em São Gonçalo dos Campos, Cachoeira, São Félix e Muritiba, fomos atrás da história da primeira commodity do Brasil

Fomos em busca da história de um dos produtos que ajudaram a construir a economia do período colonial, cuja trajetória se confunde com a formação econômica e cultural do Recôncavo Baiano, conhecendo personagens, tradições e histórias que atravessam séculos.

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Conhecemos Danilo, o agronomo da Menendez Amerino.
Por Miguel Brusell
Reportagem: Gabriela Simões e Miguel Brusell
Imagens: Gabriela Simões
 
Poucas regiões da Bahia conseguem reunir tanta história, tradição, gastronomia e identidade cultural quanto o Recôncavo Baiano. E foi justamente em busca dessas histórias que o Comida da Bahia viitou São Gonçalo dos Campos, Cachoeira, São Félix e Muritiba para mais uma edição do projeto "O Que É Que a Bahia Tem", uma expedição que nos levou pelos caminhos da Rota do Charuto, revelando personagens, sabores e experiências que ajudam a contar a história da Bahia.


 
Antes de compartilhar os detalhes desta jornada, registramos nosso agradecimento à Vinícola Boutique areA15, Menendez Amerino, Leite & Alves, Hotel Centenário, La Buena Vida Apartamentos, Restaurante Putuma, Churrascaria Brasa Club e Meraki PizzariaPara produzir este conteúdo, o Comida da Bahia contou com assessoria técnica do Sommelier Jaime D’Oliveira, dos fabricantes Sandes Cigar, Renato Talvis, Marcos Souza, Henrique Barreto, Janaína Menendez Amerino e Carla Almeida. Sem a parceria dessas pessoa e a confiança dessas empresas, seria impossível produzir conteúdos que valorizam a cultura, a gastronomia e o turismo do interior baiano.

 
A chegada à Cidade Jardim
 
Conhecida como Cidade Jardim do Recôncavo, São Gonçalo dos Campos tem sua economia ligada à agricultura, pecuária, comércio e, principalmente, à cadeia produtiva do fumo, atividade que há séculos movimenta a região e ajudou a construir a reputação internacional dos charutos produzidos no Recôncavo Baiano.



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Nossa base em São Gonçalo dos Campos, o Hotel Centenário.
Nossa base em São Gonçalo dos Campos foi o Hotel Centenário, localizado logo na entrada da cidade. O empreendimento passa por reformas e melhorias que prometem ampliar ainda mais o conforto dos visitantes, mantendo o atendimento acolhedor característico do interior baiano.
 
Depois de nos instalarmos, partimos para a primeira experiência gastronômica da viagem. Na Churrascaria Brasa Club, harmonizamos uma saborosa carne de sol com um vinho da Vinícola Boutique areA15, o Blend elaborado a partir das uvas Merlot e Alicante Bouschet. A combinação revelou como a força da culinária sertaneja dialoga perfeitamente com vinhos tintos de boa estrutura, criando uma experiência surpreendente.
 
À noite, foi a vez da Meraki Pizzaria mostrar que criatividade também faz parte da gastronomia do interior. Entre os sabores escolhidos estavam lombinho com geleia de pimenta, carne seca com banana-da-terra e camarão ao molho teriyaki. Para acompanhar, o varietal Solitude, da uva Cabernet Franc da areA15, entregou equilíbrio, frescor e elegância, valorizando cada ingrediente presente nas receitas.


 
Conhecendo uma das maiores tradições do Recôncavo

O segundo dia começou com uma visita à Menendez Amerino, uma das mais tradicionais fabricantes de charutos do Brasil. Mais do que conhecer uma fábrica, tivemos a oportunidade de acompanhar de perto uma atividade que faz parte da história do Recôncavo Baiano há gerações. Fomos recebidos por profissionais que dedicam suas vidas à arte de transformar folhas de fumo em charutos de excelência. Cada ambiente da fábrica revela um pouco da tradição e do cuidado envolvidos na produção. É um trabalho que combina técnica, experiência e respeito ao legado construído ao longo dos séculos.


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As charuteiras realizam, manualmente, tarefas fundamentais.
Durante a visita, acompanhamos as principais etapas da produção, desde a seleção das folhas até a confecção dos charutos. O processo é marcado pela atenção aos detalhes e pela habilidade das charuteiras, que realizam manualmente tarefas fundamentais para garantir a qualidade do produto final. As folhas são classificadas conforme suas características e destinadas a diferentes funções dentro do charuto. Cada etapa exige conhecimento específico e um olhar treinado que só a experiência proporciona. O resultado é um produto reconhecido dentro e fora do Brasil.

A visita permitiu compreender a importância econômica e cultural que a produção fumageira possui para o Recôncavo Baiano. Além de gerar emprego e renda para centenas de famílias, a atividade ajuda a preservar saberes transmitidos de geração em geração. A tradição do fumo está profundamente ligada à formação histórica da região e continua sendo um dos seus principais patrimônios. Conhecer a Menendez Amerino foi também conhecer parte da história da Bahia e do Brasil. Uma experiência que reforça o valor da cultura, do trabalho artesanal e das riquezas do interior baiano.

 
Almoço com vista para a Serra da Putuma

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Restaurante Putuma, localizado em Conceição da Feira.
Depois da imersão no universo dos charutos, seguimos para um dos lugares mais agradáveis da região: o Restaurante Putuma, localizado na Serra da Putuma, em Conceição da Feira e que tem uma vista de tirar o folego para os campos, fazenda e sítios da região, além de boa parte do lago da barragem de Pedra do Cavalo. A experiência começou com um delicado vinagrete de camarão, seguido por uma tilápia inteira frita, preparada com perfeição e acompanhada pela vista privilegiada da serra.
 
A harmonização ficou por conta do areA15 Blend, elaborado com duas safras de Chardonnay — uma delas amadurecida em barrica de carvalho — e uma de Sauvignon Blanc. O resultado é um vinho de excelente equilíbrio, capaz de unir frescor, complexidade e elegância, acompanhando perfeitamente os sabores do mar.
 
À noite, a confraternização continuou com espetinhos e hambúrgueres harmonizados com um areA15 Blend elaborado com as uvas Pinot Noir e Touriga Nacional, demonstrando mais uma vez a versatilidade dos vinhos brasileiros à mesa.


 
O aconchego da La Buena Vida

La Buena Vida, no coração de São Feliz.
De São Gonçalo seguimos para São Félix, cidade histórica localizada às margens do Rio Paraguaçu. Nossa hospedagem foi em um dos apartamentos da La Buena Vida. O conforto, o bom gosto na decoração e a atenção aos detalhes criaram uma atmosfera tão acolhedora que rapidamente nos sentimos em casa.
 
E foi justamente essa sensação que inspirou um momento especial. Aproveitando a estrutura completa do apartamento, preparamos uma lasanha de dois queijos, mussarela e parmesão, harmonizada com o espumante Dalma, da Vinícola Boutique areA15.
 
Uma experiência simples, mas que resume perfeitamente a proposta do empreendimento: oferecer ao visitante uma estadia que vai muito além da hospedagem.


 
O Museu do Charuto e a história de uma riqueza brasileira

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De São Félix, fomos ao Museu da Leite e Alves, em Cachoeira.
De São Félix, atravessamos a ponte e fomos visitar o Museu do Charuto da Leite & Alves, um espaço que preserva parte importante da história econômica do Brasil, que fica em Cachoeira. Durante os primeiros séculos da colonização, o fumo esteve entre os principais produtos exportados pelo país. Muito antes do café dominar a economia nacional, era o tabaco produzido no Recôncavo que ajudava a movimentar o comércio internacional.
 
Foi nessa região que a variedade Mata Fina encontrou condições ideais para alcançar um padrão de excelência reconhecido mundialmente. Até hoje, o chamado Brasil Bahia é considerado um dos fumos mais valorizados do planeta.
 
Uma característica que torna o Mata Fina único é sua versatilidade. A mesma folha pode ser utilizada na tripa, responsável pelo recheio do charuto; no capote, que mantém sua estrutura; e também na capa, a folha externa que confere beleza e personalidade ao produto final.


 
Da semente ao charuto

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Da semente ao Charuto de alta qualidade.
A última etapa da viagem nos levou até Itaporã, distrito de Muritiba, onde visitamos uma das áreas de cultivo da Menendez Amerino. Ali foi possível acompanhar todas as fases da produção do fumo. Desde as minúsculas sementes, que lembram pequenos grãos de areia, passando pelo desenvolvimento das mudas, crescimento das plantas, colheita, secagem e preparação das folhas.
 
Ver cada etapa de perto reforça o entendimento de que um grande charuto começa muito antes da manufatura. Ele nasce na terra, no clima, no conhecimento transmitido entre gerações e no trabalho cuidadoso de centenas de pessoas que mantêm viva uma tradição secular.
 
Ao final da jornada, voltamos para casa com a certeza de que a Rota do Charuto é muito mais do que um roteiro turístico. É uma viagem pela história da Bahia, pela cultura do Recôncavo e pelos sabores que fazem desta região um dos patrimônios mais ricos do Brasil.
 
E, como sempre acontece em nossas expedições, saímos com a sensação de que ainda há muito mais para descobrir sobre tudo aquilo que a Bahia tem.


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