Em Morro do Chapéu, Gurgalha faz queijos de todo o mundo com sabor dos Alpes Diamantinos
Desde
o início do século passado, muito antes da eletricidade e da refrigeração, a fazenda
já produzia queijos - alimento resistente ao tempo, ao calor e às longas
distâncias do sertão – funcionando como um local de abastecimento no “caminho
natural” da Chapada.
Por
Miguel Brusell
Imagens: Gabriela Simõess
Com
clima de verão europeu durante o ano todo, a região de Morro do Chapéu, na
Chapada Diamantina, já era considerada muito boa para morar por povos
originários que deixaram, nas rochas, há cerca de 12 mil anos, registros de sua
presença na forma de pinturas de homens, animais e misteriosos círculos
coloridos, como atestam as diversas pintura rupestres que datam dessa época. Durante
milhares de anos, a encosta de pedras da Gurgalha, em Morro do Chapéu foi
ocupada e serviu de passagem natural, funcionado como área estratégica de
circulação entre diferentes rotas da Chapada.
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| Para chegar a Gurgalha, utilizamos a plataforma Bippi. |
Imagens: Gabriela Simõess
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| Mediante agendamento, a Gurgalha recebe visitas. |
Com
o declínio do garimpo no final do século XIX, a economia da Chapada Diamantina começou a mudar de rumo. As serras que antes recebiam garimpeiros em busca de
ouro e diamantes passaram a ser ocupadas por fazendas de criação de gado. Nas
terras altas de Morro do Chapéu, um dos pontos mais elevados da Bahia, o clima
mais ameno e os ventos constantes criaram condições ideais para a pecuária e
para a produção de leite.
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| O delicioso e imperdível Café da Manhã do Diamantina. |
Para
conhecer de perto essa história, o Comida da Bahia esteve em Morro do Chapéu para visitar a Fazenda Gurgalha. Mais uma vez, o convite partiu do Diamantina Palace Hotel, onde ficamos hospedados e, como sempre, fomos muito bem recebidos
por todos. Um hotel que faz você se sentir em casa, recebendo o seu hóspede com
muito carinho e com um delicioso e imperdível Café da Manhã.
Décadas
depois, a tradição de produzir queijo na região ganha uma interpretação
completamente nova na Fazenda Gurgalha. Apaixonado pela produção, Dr. Roney
cresceu vendo o seu avô produzir queijo e decidiu estudar as grandes escolas
queijeiras do mundo, para adaptar as técnicas clássicas às condições únicas da Chapada Diamantina. O resultado é uma produção artesanal que combina ciência,
clima e território.
Chapada macro – o clima, o território e a geografia da Chapada
Chapada micro – a microbiologia específica da fazenda
Chapada molecular – os processos bioquímicos da maturação dos queijos
Chapada quântica – a dimensão cultural, sensorial e emocional dos produtores
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| A Cave da Gurgalha ao lado das tocas da onça e da raposa. |
Entre
ventos frios, altitude elevada e paisagens montanhosas, não é raro ouvir moradores
comparando a Chapada Diamantina a regiões serranas da Europa. Na Fazenda Gurgalha, essa
analogia ganhou nome próprio: Alpes Diamantinos. É uma forma poética de
descrever um território singular onde história, geologia e gastronomia se
encontram.
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| A cave juto aos paredões de pedra por onde a água escorria. |
Ali, em uma mesma encosta que já viu povos originários pintarem
rochas, garimpeiros cruzarem serras e boiadas abrirem caminhos, nasce hoje um
novo capítulo da Chapada Diamantina — traduzido em queijos que carregam o sabor
de um lugar. Mediante
agendamento prévio, a Fazenda Gurgalha também abre suas porteiras para
visitantes interessados em conhecer de perto a história e o terroir do lugar. O
tour percorre os paredões de pedra por onde a água escorria emitindo um som
chamado de “gurgualhar das águas” que teria dado origem ao nome da fazenda. A
Terra onde a água Gurgalha entre as pedras. Quando o viajante começava a ouvir
o gurgalhar da água entre as pedras, ele sabia aonde estava e qual o melhor
caminho para seguir: o “caminho das águas”.
Pelo
caminho das águas, surgem as pinturas rupestres deixadas pelos antigos
habitantes da serra, as tocas de animais como a raposa e a onça, o ninho do
urubu nas alturas das encostas e o espaço onde está sendo projetada a cave de
cura dos queijos junto às rochas. A experiência termina com uma degustação que
conecta passado e presente: vinho servido em taça de barro, como faziam os
romanos, acompanhado pelo queijo Formaggio Romano, que era o queijo ancestral que alimentava os soldados da legião. Todos feitos na fazenda com a mesma técnica com
que eram feitos os queijos das legiões romanas na antiguidade. Uma forma
simbólica de trazer de volta sabores que alimentavam antigas legiões e que,
hoje, renascem nas serras de Morro do Chapéu com o terroir dos Alpes Diamentinos.
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